Resenha: O Caminho dos Reis – Brandon Sanderson

Depois de tanto recomendar algumas técnicas de Brandon Sanderson, como o PROMS e a Pirâmide de Abstração, era mais do a hora de eu voltar a ler suas obras. Sanderson tem um estilo de escrita bem único, que é quase sua marca registrada.

Infelizmente, “Único” é diferente de “Ótimo”.

Ainda não saiu em português

Ao mesmo tempo que o autor consegue fazer uso do “Mostre, não conte”, ele acaba arrastando demais as cenas, complicando demais os eventos e tornando a narração cansativa.

Em “O Caminho dos Reis”, o que é o primeiro livro de uma longa série, o autor nos apresenta o continente de Roshar, lar de terríveis e frequentes tempestades. Tal fenômeno molda toda a vida no lugar, desde as rotinas dos animais até mesmo o posicionamento das cidades humanas. Ser pego sem abrigo por uma tempestade é morte certa.

Vários Pontos de Vista…

Acompanhamos a história pela visão de três personagens: Shallan, uma jovem estudiosa que deseja se tornar aprendiz de uma famosa sábia, Kaladin, um cirurgião de campo que acaba se tornando um escravo e Dalinar, tio do rei e nobre líder de um exército.

A separação em três pontos de vista é muito bem vinda. Acompanhamos dessa forma um membro da classe intelectual do mundo, um da elite e um da classe baixa. Dessa forma, temos uma noção maior de como são as interações sociais.

Como em sua demais obras, o autor usa sistemas de magia rígidos. São vários, e atuam desde a mecânica de combate até a “geração de alimentos” do reino. O segundo capítulo inteiro é basicamente uma aula sobre um dos sistemas de magia (e é chato. Chato demais).

Mas o maior chamariz da obra são as Shardplates e Shardblades. Vindas de um passado distante são respectivamente armaduras e espadas poderosíssimas. As Shardplates são praticamente indestrutíveis, e as Shardblades atravessam armadura e rocha, quase imparáveis. Um único soldado armado com ambas é capaz de derrotar inúmeros oponentes. São artefatos tão valiosos quanto reinos inteiros, sendo usados apenas pela elite da elite.

…mas falta ritmo

Como é o primeiro livro de uma longa série, é de se esperar que existam muitas pontas soltas e coisas não explicadas, mas verdade seja dita, o livro conta uma história “completa”, com desenvolvimento de personagens e profundidade de conflitos.

O maior problema é o ritmo da narrativa. Até por volta de 70% do livro é tudo muito arrastado. Os personagens ficam meio travados, e, embora as tramas já estejam claras, o livro não ganha velocidade. Há certo desenrolar na história e evolução, mas elas são tão custosas e demoradas que fica cansativo demais.

Mas é nos últimos 30% que o autor mostra porque é um bestseller. Tem inclusive um capítulo em específico onde fica claro que o ritmo vai mudar e que as coisas ganharão impacto. É quase como o autor lhe dizendo “Eu sei que até aqui estava devagar, mas agora vai acelerar e você vai ficar com vontade de comprar o próximo livro”.

Terminei com vontade de comprar o próximo livro.

“Maldito…”

Brandon Sanderson acerta no final e na ideia das Shardblades e Shardplates. Os personagens também são muito bem trabalhados e tem vida própria nas entrelinhas do texto. Os principais problemas são o ritmo da narrativa, pois em um livro desse tamanho, com certeza afastará alguns leitores e as descrições dos sistemas de magia, por vezes muito específicas.

Nota 3 de 5.

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