3 Regras para Criar seu Sistema de Magia

Uma das características mais marcantes da literatura fantástica é a presença de Sistemas de Magia ou Sistemas Mágicos. A grosso modo é a capacidade de personagens da história usar elementos extraordinários para resolver problemas, vencer lutas, impressionar as pessoas ou simplesmente sobreviver. Um exemplo óbvio de Sistemas Mágicos é a série Harry Potter, que se passa em um colégio de magia.

Como é comum e praticamente uma lei dos universos fantásticos a presença de magia (afinal, é basicamente o que define o gênero) é importante pensar bem em como arquitetar o seu sistema mágico.

A grosso modo, existem duas abordagens de sistemas mágicos em fantasia, o Sistema Rígido e o Sistema Flexível. O primeiro é famoso por ter regras explícitas e claras, impedindo que o autor “tire um coelho da cartola” na hora de resolver um conflito, enquanto o segundo é mais usado para dar mais liberdade criativa ao autor e causar um sentimento de admiração no leitor.

Ao pensar em seu sistema, existem três regras de ouro, descritas por Brandon Sanderson, que ajudam na definição de leis e caminhos a serem tomados:

1 – Fraquezas são mais interessantes do que pontos fortes

É importante delimitar os limites e fraquezas de seu sistema mágico. O que um praticante da magia não consegue fazer? Como ele pode ser impedido de atingir algum objetivo? Existem custos ao realizar uma magia?

Um bom exemplo desse ponto é o Um Anel em O Senhor dos Anéis. Ao utilizar o anel, Frodo pode ficar invisível aos humanos, mas acelera seu processo de corrupção pelo poder de Sauron e alerta sua posição para seu inimigo. É um poder útil, mas tem um grande custo envolvido em sua utilização.

2 – Prefira profundidade a quantidade

Ao criar as magias em seu universo, prefira mais profundidade em poucos (ou mesmo um só) sistemas mágicos do que vários sistemas mágicos sem detalhamento. O seu mundo não será mais rico se possuir cinquenta sistemas mágicos descritivos, mas será mais engajante se possuir sistemas bem desenvolvidos e com real consistência (além, é claro, de evitar que você precise explicar ao leitor sistemas que nem serão usados na história).

3 – Sua capacidade de resolver problemas com magia é diretamente proporcional ao quanto o leitor entende tal magia.

Mesmo em Sistemas Flexíveis, esse é o ponto chave de tudo. Se o leitor entender como funciona sua magia, é possível usá-la para resolver conflitos centrais de sua trama, caso contrário ficará parecendo um Deus ex machina. Mesmo em séries altamente flexíveis, a resolução do conflito só é satisfatória se as regras forem claras.

Mesmo em Harry Potter, um universo com um sistema altamente flexível, a resolução final do conflito ocorre em um dos exemplos de regra rígida:

Você só se torna o mestre da Varinha das Varinhas ao derrotar o mestre anterior.

Em O Senhor dos Anéis, Gandalf é um ótimo exemplo de magia flexível: nunca é plenamente claro o que ele pode ou não fazer, mas a resolução da trama tem uma regra bem clara:

O Um Anel só pode ser destruído no local onde foi forjado

Como os exemplos mostram, ao criar uma história, tenha sempre em mente que, mesmo em cenários altamente flexíveis, você só pode usar magia para resolver pontos centrais da trama quando o leitor estiver familiarizado e as regras forem claras.

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