Tipos de Fantasia

No meu review sobre O Poder da Espada, de Joe Abercrombie, eu usei o termo “Low Fantasy” e algumas pessoas vieram me perguntar o que era isso, por isso montei esse post explicando, dentro do estilo Fantasia, quais são (alguns) dos Tipos de Fantasia e quais as suas características.

Normalmente, os principais indicadores de qual estilo de fantasia estamos lendo são

  • Nível de Magia: via de regra, fantasia significa a presença de magia. Se essa magia é facilmente acessível, ou o quanto a magia tem a capacidade de influenciar o enredo são bons indicadores de que tipo de história está sendo contada.
  • Foco em Personagem em detrimento de foco no ambiente. Os livros de fantasia menos mágicos tendem a girar mais em torno de um (ou alguns) personagens, ao invés de ser sobre as regras e destino do mundo.
  • Nível de Violência: descrições muito vívidas de violência em comparação com as famosas “batalhas sem feridos” de livros mais leves.

Não existem divisões “formais” no ramo, e categorizar um livro em um dos subgêneros com certeza vai ser polêmico, mas esses são alguns dos mais aceitos tipos de livros/obras de fantasia.

Alta Fantasia (ou High Fantasy)

Alta Fantasia

Também chamado de Fantasia Épica, é um dos ramos mais clássicos do gênero. Suas principais características são a alta presença de magia e o baixo nível de violência. Aqui você deve encontrar grandes batalhas e um enredo normalmente focado em “derrotar as forças do mal”.

Um ótimo exemplo desse ramo é a trilogia O Senhor dos Anéis. Focando mais no livro, em detrimento dos filmes, embora existam grandes batalhas eles normalmente são descritas de maneira mais leve e menos sangrenta. Objetos e criaturas mágicas ditam muito do enredo e história, e, embora tenhamos riqueza de personagens, o foco maior é na aventura da destruição do Um Anel, e das dificuldades em cumprir o objetivo de derrotar o mal.

Baixa Fantasia (ou Low Fantasy)

Fantasia Baixa

Do outro lado do espectro da Alta Fantasia, temos (obviamente) a Baixa Fantasia. Muito mais focada nas lutas e dificuldades dos personagens do que em magia propriamente dita. Embora exista magia ela é mais rara e normalmente de um alto custo.

A escala das coisas normalmente é menor e mais pessoal, e o nível de violência é mais alto.

Um bom exemplo, como já disse, é a trilogia O Poder da Espada. Embora exista magia (no livro descrito como “arte“), apenas poucas pessoas tem conhecimento, e essas poucas têm interesses pessoais próprios. Uma grande carga emocional é lançada sobre os personagens, e eles normalmente têm algum defeito ou característica negativa, o que os aproxima da realidade.

Uma boa comparação entre os dois mundos é colocar Aragorn e Logen lado a lado. Aragorn permanece sábio, correto e corajoso ao longo de todos os livros, sendo uma das bússolas morais da Sociedade. Logen é um assassino com dupla personalidade que, embora se arrependa dos crimes passados, não consegue evitar sua continuidade.

Fantasia Sombria (ou Dark Fantasy)

Fantasia Sombria

Aqui há uma leve distorção nos valores clássicos da magia. Nos dois exemplos anteriores, há, pelo bem ou pelo mal, uma certa nobreza e beleza nos atos e objetos mágicos. Em Fantasia Sombria, a magia é algo sorrateiro e perigoso, normalmente causadora de grandes males. O nível de violência é alto, especialmente no que tange às vítimas da magia, e a história é mais voltada para o terror dos personagens sobrevivendo nesse mundo.

Um bom exemplo desse gênero é o primeiro livro do Ciclo das Trevas, O Protegido (aliás, só leia o primeiro livro, a série caiu muito de qualidade depois). A história é contada do ponto de vista de um garoto que vive em um mundo onde demônios, chamados terraitas, saem da terra durante a noite. São seres terríveis e quase imunes as armas humanas, e a única forma de sobrevivência é se manter dentro de casa, onde existem símbolos de proteção que as criaturas não conseguem atravessar.

O primeiro capítulo já demonstra o nível de violência. O garoto, muito jovem, tem que ajudar o pai a averiguar uma vila vizinha onde os símbolos falharam. É a primeira experiência da criança em tal situação, e fica claro tanto o desespero das pessoas que perderam entes queridos quanto dos sobreviventes que não lutaram, apenas fugiram, pois sabiam ser a única opção.

Fantasia Científica (ou Science Fantasy)

Fantasia Cientifica

Para provar que não é necessário ser medieval para ser fantasia, existe o gênero Fantasia Científica. Existe magia e poderes místicos, mas num ambiente de ficção científica. O nível de violência é médio, e o enredo foca mais nos personagens, embora a escala das coisas seja grandiosa.

Um bom exemplo disso são os livros da série Warhammer. São mais de quarenta livros nesse ambiente, onde, embora existam Orcs e criaturas malignas, estas são altamente tecnológicas e lutam num ambiente de exploração espacial.

Conclusão

Existem inúmeras subdivisões do gênero, mas eu tentei focar nas mais difundidas e conhecidas.

Conhece alguma que não está acima? Dá um toque que vamos atualizando esse post!

Compartilhe!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *