As 3 Regras para Criar Tensão

A melhor maneira de manter um leitor engajado é criando cenários que reforcem sua curiosidade. Seja no longo prazo (“Eu quero saber como a história termina!”) quanto no curto prazo (“O que está atrás daquela porta?”) a curiosidade é uma das maiores forças na criação de histórias.

Mas existe um tipo específico de curiosidade, normalmente presente em histórias de mistério e terror. Uma curiosidade mais pesada, que nos faz engolir em seco e coçar a cabeça, enquanto uma sensação de desconforto engatinha na parte de trás dos nossos pensamentos. Que nos aproxima cada vez mais do nosso objeto de atenção, e ao mesmo tempo que nos atrai, nos dá vontade de virar as costas e sair correndo.

A esse tipo de curiosidade damos o nome de tensão.

A tensão é uma arma poderosa no arsenal de um escritor, mas como todas as demais, só a prática consegue trazer à medida certa. Pouca tensão pode fazer com que a cena fique frágil, e pareça apenas um “truque barato”. Tensão demais, ou por tempo demasiado longo, pode fazer com que a leitura fique cansativa para o leitor. Alguns autores conseguem manter um alto nível de tensão do começo ao fim, mas essa é uma habilidade rara e, normalmente, acaba trazendo alguns outros problemas para a obra.

Dan Brown consegue manter a tensão do começo ao fim, mas ao custo de seus livros sempre seguirem uma fórmula parecida

Na criação de tensão existem três máximas que podem ajudar na arquitetura da narrativa.

1 – Diminuir ou remover o controle que o personagem tem da situação

Se não há riscos envolvidos, a tensão é mínima, mas apenas aumentar os riscos não garante um aumento na tensão. Se a situação em questão tem riscos altos, mas seu personagem tem muita influência sobre seu desfecho, teremos pouco investimento emocional.

Legal, o bandido atirou no mocinho. Mas existe alguma tensão quando o mocinho é imune a balas?

Diminua o controle do personagem para aumentar o risco de uma derrota. Em alguns casos é possível remover o controle por completo, deixando seu personagem refém de uma situação que ele não tem nenhuma influência ou opinião.

2 – Descrições e conversas devem engrandecer eventos antecipados

Mesmo em situações diferentes ou inusitadas, o leitor sempre tem uma expectativa do que pode acontecer. As pistas da escrita devem atiçar essa antecipação da leitura, mesmo quando o escritor não tem total intenção de seguir a linha das pistas.

O espião se entregou com um movimento errado. Você sabe o que vai acontecer?

Eventos antecipados tem muito poder em uma obra. Quando correm de acordo com o que o leitor esperava, podem gerar “Eu já sabia!”, ou quando não correm “Eu não esperava por isso!”, sendo ambas situações onde ocorreu investimento emocional. Claro, quando mal feitas, as situações viram “Que clichê!” e “Deus ex-machina!”, mas a diferença de qualidade está nas mãos do escritor.

3 – A tensão será tão poderosa quanto o investimento emocional do leitor

Aqui reside a pedra fundamental de toda a ideia. Colocar um personagem em uma situação onde este não tem controle, e criar diversos eventos antecipados incríveis não vai ter efeito nenhum a menos que a audiência goste do personagem em questão.

Nessa cena você torce mais para o Rocky ficar vivo do que vencer. Isso é investimento emocional

Aqui de novo o PROMS pode te ajudar bastante.

Crie personagens que gerem a empatia do leitor, que o façam torcer por seu sucesso e que criem um laço emocional real com a audiência.

 

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