Técnicas e Conceitos – A Premissa

Vamos começar uma nova série aqui no blog, Técnicas e Conceitos, cuja ideia é pegar alguma técnica ou processo criativo, explicar como funciona e qual é a sua utilidade. Escrever histórias, livros e roteiros é um processo complexo e que envolve muitas variáveis. A intenção não é ditar regras, mas apresentar ferramentas que auxiliem nesse trabalho para  que você consiga desenvolver melhor sua ideia.

Hoje vamos falar de Premissa.

O que é a Premissa

De maneira grosseira, Premissa é sua história definida em uma frase, ou, de maneira mais poética, é a pedra fundamental de sua ideia. Parece um conceito tranquilo, mas ao tentar encaixar seus filmes ou livros favoritos em uma única frase, você vai perceber que não é uma tarefa tão simples.

Harry Potter

Um jovem precisa frequentar uma escola de magia para aprender o necessário a fim de cumprir o seu destino e derrotar a força maligna que assassinou sua família.

O Poderoso Chefão

O filho mais novo de uma família mafiosa se vinga dos homens que atacaram seu pai e se torna o novo lider da familia.

Breaking Bad

Um professor de química, ao descobrir ter câncer terminal, decide fabricar drogas para prover a família após sua morte e termina por se tornar um poderoso traficante.

Repare que a definição é bem alto nivel, mas contém todos os elementos necessários para o desenrolar da história propriamente dita. Veja que temos na premissa um personagem(o filho mais novo de uma família mafiosa), um estopim (atacaram seu pai), uma ação básica (se vinga) e um resultado (se torna o novo lider da familia).

Toda a trama se desenrola ao redor desta única frase, por isso ela é tão importante. Os demais personagens, a estrutura, a narrativa, o tema serão a roupagem que será usada para contar essa história. John Truby afirma que nove em cada dez autores falham na premissa.

Simples? Tente fazer a premissa de “Onde os Fracos Não tem Vez”. Quem é o personagem principal? Qual é a linha narrativa mais importante?

Por que é necessário ter uma premissa

Além dos motivos mais óbvios temos outros que vale ressaltar.

O primeiro é que a premissa é a ferramenta mais clara que você vai ter ao desenvolver sua história. Sempre que estiver escrevendo, o ideal é ter a premissa a mão, para reforçar o seu ponto e confirmar que você está indo na direção certa. Mesmo que sua história não seja linear, é importante ter em mente qual é a história em si. Você pode fazer seu personagem navegar pelos sete mares, mas você sabe que o destino dele, seja para sua glória ou queda, é a baleia branca.

moby-dick

O segundo é de ordem prática. Sempre que alguém te perguntar sobre o que é o seu livro, se você não tiver a premissa clara em sua cabeça, vai ficar patinando para responder. Isso é ruim não só para suas situações sociais, mas também para vender ou promover o seu livro. Quando um agente ou uma editora perguntarem sobre o que é a história, a premissa, como descrevi, é sua melhor resposta.

O terceiro é servir como âncora. Para o bem ou para o mal você está preso com a premissa. Ela é seu norte, mas também é a força que te mantém nessa história, evitando que você divague para outros caminhos. Não que seja impossível adaptar a premissa depois de começar, mas vai dar muito trabalho e é muito provável que você esteja, basicamente, escrevendo outra história.

Como trabalhar sua premissa

O primeiro conselho é tomar seu tempo. Pegue sua história e descreva o que acha que é a premissa, e então espere uma semana. Deixe a ideia ficar balançando na sua cabeça e a premissa sendo ruminada. Você vai voltar para ela quatro vezes durante essa semana para reescrever ou lapidar mais um pouco.

Tente evitar (se possível) entrar em questões técnicas, tais como mundo, fluxo narrativo ou relação entre personagens. Deixe a ideia respirar e tomar forma e vá trabalhando para que ela fique ao mesmo tempo sucinta e clara, tendo os quatro elementos básicos, personagem principal, estopim, ação básica e resultado.

Caso tenha dificuldade em descrever a premissa de sua história, podemos dar um passo para trás e fazer um exercício criativo. Pegue uma folha de papel e coloque as ideias cruas que você tem. Vale personagens que você já pensou e achou legais, vale revelações improváveis, diálogos interessantes, vale até colocar qual a temática das histórias que você tem na cabeça. A ideia geral é botar no papel tudo (ou boa parte) o que você já pensou em escrever, sem se limitar muito.

Depois escreva uma lista de histórias que você já pensou. Não precisa necessariamente focar no formato que eu passei, mas escreva algo que identifique alguma história que você quer escrever.

Analise as duas listas e, agora com ideias cruas de enredo e personagens, tente montar uma premissa (ou várias) que te satisfaçam.

Conclusão

Gaste tempo na sua premissa. É uma das decisões mais importantes, senão a mais importante, no seu processo criativo.

Refêrencias

John Truby – The Anatomy of Story

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Um comentário em “Técnicas e Conceitos – A Premissa

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