Review de Segunda: A Providência do Fogo – Brian Staveley

Segundo livro da trilogia As Crônicas do Trono de Pedra Bruta! Continuamos as aventuras de Adare, Kaden e Valyn, e você pode ver a review do primeiro livro aqui.

O segundo livro da trilogia é, em todos os sentidos, muito superior ao primeiro. Sem precisar perder tempo em localização e apresentação de personagens, Brian Staveley nos leva para uma reviravolta de situações e revelações cada vez mais agressivas. Os erros, principalmente no que tangem Adare, são não só resolvidos como trazem a personagem de uma posição passiva para o centro de toda a trama, sendo inclusive a personagem principal do livro. Adare vira um misto de protagonista, antagonista e com as decisões mais difíceis de serem tomadas. Enquanto o primeiro objetivo de Kaden é escapar, e o de Valyn é sobreviver, Adare navega por dilemas morais e complexos.

Capa do lvro A Providência do Fogo de Brian Staveley
Não tão boa quanto a primeira capa, mas justa!

Se você não leu o primeiro livro, boa parte dessa review vai conter spoilers da série, portanto esteja avisado!

Visão Geral (com muitos spoilers, pular para Conclusão)

Adare cresce muito nesse livro, e a história dela é muito bem trabalhada se tornando o fio condutor da narrativa. Um geral de toda a trama em volta das revelações de Adare:

Adare descobre que Il Tornja é o verdadeiro assassino do finado imperador

interessante...

 

Buscando aliados para se vingar do regente Adare é (provavelmente) salva pela deusa Intarra 

interessante...

Ao conseguir seu exército (explorando a fé de crentes) para enfrentar Il Tornja descobre que os Urghul, bárbaros do norte, estão atacando o império

interessante...

Ao marchar para a capital, a única chance de garantir a estabilidade de sua posição é se auto proclamando imperatriz, quebrando toda a ordem de hierarquia padrão

interessante...

E que como os Urghul tem uma colossal superioridade de força, Adare precisa manter Il Tornja vivo, pois é o único com conhecimento militar para parar a invasão

interessante...

Il Tornja é um Csestriim

interessante...

Valyn, sabendo ser o general o responsável pela morte do imperador, seu pai, agora deseja também sua vingança

Isso é um ótimo conflito de interesses para Adare. Isso é um ótimo conflito para Valyn. Isso é um ótimo campo para Kaden, que deveria ser imperador, poder trabalhar e aprender politica. Adare, ao buscar sua vingança se vê em situações cada vez mais difíceis e com impactos cada vez maiores, onde não há solução certa. A necessidade de usurpar o trono e de marchar ao norte, não para caçar, mas para ajudar Il Tornja, mostra maturidade e esforço em manter o seu povo vivo e seu império inteiro e, fazendo isso, a coloca em rota de colisão com seus dois irmãos ao mesmo tempo: Kaden pelo governo e Valyn pela manutenção da vida de Il Tornja. Podemos discutir se ela toma as decisões certas ou erradas, mas é inegável a força que a personagem tem em mudar o enredo e criar vida própria.

palmas!

Kaden é outra grata surpresa. Cercado por inimigos e com mínimas opções de alianças, ele começa o livro como um prisioneiro não declarado dos Ishien (a seita de seu mestre, Tan) e termina proclamando uma república enquanto destrói tanto os defensores do império quanto seus antigos carcereiros em um único golpe de mestre, forçando os demais apoiadores de sua recém fundada república, antes reticentes, a forçarem suas jogadas. Nesse livro, até a metade do terceiro, Kaden ganhou status de um de meus personagens favoritos em livros de fantasia.

Valyn continua sendo Valyn durante todo o livro. Inclusive é um contraponto interessante da evolução dos outros personagens. Enquanto Adare assume de vez as rédeas por seu destino e Kaden evolui a ponto de minar um governo e solidificar sua posição jogando inimigo contra inimigo, Valyn permanece quase imutável, principalmente na maior crise, quando fica mais claro que ele precisa se adaptar. Sua teimosia  e apego a seus métodos são, no final, a principal causa por sua queda (isso e Adare).

Gwenna é uma outra personagem que ganha importância nesse livro, a ponto de ter seus próprios capítulos. Como especialista em explosivos da equipe de Valyn, ela assume um papel maior quando os dois se separam. Cabeça quente e agressiva, traz um tempero a mais para os capítulos que encabeça.

A rápida ascensão de Balendin, de prisioneiro a um dos líderes dos bárbaros Urghul acaba sendo o mais inverossímil do livro. Deu a impressão de “reaproveitamento” de vilão e a insistência nele, mesmo quando Gwenna o acerta com explosivos, dá a impressão de que não havia mais espaço para nenhum outro inimigo mais grave. Além disso, os poderes de Balendin começam a ficar úteis para o enredo. Úteis demais, demais, quase como uma muleta para o autor se apoiar…

Conclusão

Mais sólido do que o primeiro livro e com um maior cuidado e protagonismo dos personagens. Kaden migra de um mero monge para um articulador político capaz, Adare evolui de uma peça em um tabuleiro alheio para um personagem ativo e Valyn continua sendo um baita personagem.

Nota 3.5 de 5. Vai bem e entrega mais do que promete. Deixa o leitor sempre ligado sobre as mudanças na trama e as revelações vão acontecendo de maneira rápida e constante.

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