Resenha: Ordem Vermelha: Filhos da Degradação – Felipe Castilho

Depois de enrolar tanto, surgiu finalmente a oportunidade de ler Ordem Vermelha: Filhos da Degradação, um dos livros nacionais de fantasia mais comentados. A obra de Felipe Castilho, o cara mais engraçado do twitter, felizmente passa longe de ser o cenário “Europa na Idade Média mas com outro nome”.

Elementos fantásticos…

A história se passa em Untherak, onde por mil anos a deusa Una tem reinado com mão de ferro. Como não pode faltar em fantasia, Untherak é povoada por seis raças diferentes: os humanos, tão frágeis e simples quanto os do nosso mundo, os gigantes, grandes e poderosos, mas próximos a extinção, os kaorsh, fortes e capazes de copiar as cores do ambiente (tal qual um camaleão), os anões, baixos, fortes e hábeis, os sinfos, pequenos, ligados a natureza e a arte, e os gnolls, que se tornaram animais irracionais.

Parte das raças: Kaorsh, Humano, Sinfo, Anão e a Deusa – FONTE

Ordem Vermelha usa alguns elementos fantásticos clássicos, mas sempre com alguma novidade ou subversão. Por exemplo: existem anões, e embora eles tenham habilidades manuais e mecânicas (como todo anão em fantasia), muito do conhecimento da raça foi perdido nos séculos de opressão. Os gigantes, tão poderosos, são a raça mais próxima da extinção.

A própria deusa, Una, aparenta ser um clássico “vilão de fantasia”, comandando o cotidiano de seus súditos e fiéis. Porém, auxiliada por seu General Proghon e por seu grupo misterioso de sacerdotes, a Centípede, a Deusa guarda muitos mistérios do povo de Untherak.

…mas um contexto atual

Só que, por exemplo, ao mesmo tempo que vemos seres fantásticos, acompanhamos a vida de Aelian, um humano responsável pela manutenção do Poleiro (onde cuidam dos falcões e demais pássaros mensageiros). Seu trabalho é, em grande parte, limpar sujeira de pássaros.

Os outros protagonistas tem uma vida parecida. Raazi, uma kaorsh trabalha num tear. Harum, um anão, precisa fazer jornada dupla para garantir a vida de sua esposa e filho.

A vida em Untherak é dura. As pessoas ficam presas durante a noite e trabalham durante seis dias da semana, tendo apenas um dia de descanso. E mesmo esse dia de descanso precisa ser recheado com pelo menos uma hora de prece a deusa. Se você juntar bastante dinheiro, consegue comprar sua semiliberdade, que, como o nome indica, não é exatamente o que se deseja.

A exploração das massas e as pessoas se contentando com tão pouco são temas óbvios na obra. As relações de poder são muito parecidas com nosso mundo. Um exemplo são os Autoridades, indivíduos que subiram poucos degraus de conforto na sociedade, e agora se sentem no direito de abusar de seu poder, muito embora ainda sejam tão oprimidos quanto os demais.

Um sopro de novidade em Fantasia

A criação de mundo do autor é primorosa. A sensação de desconforto com a vida dura dos personagens, junto com os elementos e raças fantásticas geram uma mescla muito bem vinda na leitura, bem como uma identificação do leitor.

Por outro lado, o ritmo deixa um pouco a desejar. O conflito real demora a tomar forma, e com isso acabamos acompanhando por tempo demais o cotidiano dos personagens. Se me lembro bem, é por volta de 50% do livro que somos apresentados ao cerne dos problemas.

É uma grande obra, vale muito a leitura.

Nota 3.5 de 5.

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1 resposta a “Resenha: Ordem Vermelha: Filhos da Degradação – Felipe Castilho”

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