Review de Segunda: Antes da Forca – Joe Abercrombie

Vamos para o Review de Segunda: Antes da Forca de Joe Abercrombie, segundo livro da trilogia A Primeira Lei! Você pode ver a resenha do primeiro livro aqui.

Eu achei as capas dessa trilogia meio fraquinhas…

Sem a pressão de ter que apresentar personagem e cenário, esse livro conta com muito mais ação do que o primeiro e com maior evolução dos heróis que não são tão heroicos assim. Ao mesmo tempo que evolui a história, Abercrombie lança várias pontas soltas para serem fechadas no terceiro e último livro.

Essa review vai conter muitos spoilers!

Spoilers do Primeiro Livro a Frente (pular para a Conclusão)

O Poder da Espada termina com três acontecimentos bem espećificos do enredo: o desdobramento da guerra no norte, em Angland, o cerco da cidade de Dagoska, no sul e a expedição de Bayaz para encontrar A Semente.

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West, que não havia tido muita relevância no primeiro livro, vira um dos ajudantes do general Burr, comandante da guerra no norte. Ele não é, como todos os personagens de Abercrombie, um mocinho, mas é um dos soldados que mais se empenha no dia a dia, por isso é díficil desgostar dele. Só que a presença de Ladisla coloca tudo a perder. Ladisla é um principe, portanto ele ganha o controle de um dos regimentos do exército, e West é designado para aconselhar o jovem. O problema é que os conselhos são sempre ignorados, e isso só continua por aprofundar a raiva de West e o fracasso da campanha.

Glokta é mandado para o sul, na cidade de Dagoska, para garantir que ela não caia em mãos inimigas. O próprio torturador sabe que é uma missão quase impossível, dada a força dos inimigos, e a primeira notícia que recebe é que não receberá tropas, nem dinheiro do governo central, sendo portanto largado a própria sorte no lugar. Outro detalhe importante é que, graças a sua astúcia (e também tortura. Muita tortura), ele percebe que há traidores dentro das muralhas de Dagoska, portanto ele precisa se preocupar tanto com invasores quanto com seus próprios pares.

Bayaz lidera a expedição de Logen, Ferro e Jezal em busca da Semente, um artefato que, segundo o próprio, será a arma perfeita para impedir a invasão que está ocorrendo ao sul. Fica claro desde o começo que esse grupo não é funcional, mas a desconfiança de um pelo outro, aliada às maquinações de Bayaz e a boa vontade de Logen acabam por tornar o dia a dia deles menos imprevisível, onde todos concordam que precisam se ajudar para sobreviver.

Spoilers a frente (pular para a Conclusão)

A trilogia A Primeira Lei tem a força que tem muito por causa desse segundo livro. O primeiro tem alguns problemas, principalmente na apresentação de alguns personagens, e o terceiro também tem suas falhas (serão cobertas no próximo Review de Segunda), mas o segundo beira o perfeito.

A queda de Jezal, quase morto na viagem, e recuperado pelas pessoas que ele mais desprezava é um feito incrível. De um playboy folgado, passamos a gostar do personagem (algo parecido com Jaime Lannister, em Guerra dos Tronos).

Logen continua sendo Logen, o que é um tremendo elogio, mas não significa que o personagem não evolua. Ele aprende a confiar nos outros membros da expedição e é o principal responsável pelas tentativas de aproximar o grupo. Cria uma relação mais próxima com Ferro, com quem tem mais semelhanças, mas também lida com Jezal. E, nas cenas de ação, continua sendo O Nove Sangrento, maníaco sanguinário que todos queremos ler.

Ferro continua sendo Ferro, e isso não é um elogio.

Mas as principais lutas são de West e Glokta.

West e o Norte

West precisa lidar com um Ladisla orgulhoso e que ignora seus conselhos, muito embora não entenda nada de guerra. Isso leva ao desastre e ao assassinato do príncipe pelo próprio West  numas das cenas de maior satisfação até o momento. Não se culpe, West, você fez o certo!

A guerra no norte é pesada e um dos meus personagens favoritos no livro morre, Rudd Três Árvores, nas mãos de Fenris, O Temível, novo campeão do rei do norte, Bethod. Essa batalha é muito bem descrita e dramática, assim como todo o ambiente inóspito do norte. Outro detalhe legal é o funeral do personagem, numa cena emocionante, onde até os mais terríveis matadores do continente sofrem.

Glokta e o Sul

Glokta, obviamente, continua torturando e matando as pessoas em seu caminho. Mandado para uma missão impossível, ele recebe um montante inesperado de dinheiro (e, por isso, fica devendo para um banco obscuro…) e consegue manter o lugar por mais tempo do que qualquer um achava possível. Usando tortura, intimidação e dinheiro ele consegue fazer todas as forças da cidade atuarem em seu favor. A cena onde ele mata o embaixador que vem negociar a rendição da cidade é espetacular. Em uma só tacada ele impede a rendição, a negociação de paz e aumenta o desejo de sobrevivência da cidade.

Essa é, inclusive, outra característica muito marcante de Abercrombie: A falta de controle dos personagens sobre seus próprios destinos. Glokta recebe sua missão de um dos homens mais temidos da União e, mesmo tendo noção ser uma missão suicida, faz o melhor possível, pois sabe que seu pescoço está em jogo. Quando falha e retorna, ele o faz preparado para receber a morte como punição. Qual não é a sua surpresa ao ver que a cidade, na verdade, não importava, e que ele foi mandado para lá apenas como uma briga entre rivais políticos?

Conclusão

Antes da Forca usa o primeiro livro como trampolim para alçar voos mais altos, e, mesmo sendo muito centrado nos personagens, é inegável a força do enredo e a velocidade dos acontecimentos. Fica muito difícil parar de virar as páginas, pois cada capítulo apresenta uma reviravolta nova.

As descrições das batalhas e dos sofrimentos dos personagens é sensacional. Glokta é um pilar de podridão e você não consegue deixar de amar ele ao longo das páginas. E Logen continua ganhando níveis em “ser incrível”.

Nota 4.5 de 5!

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