Compilado de Agressões Realizadas por Apoiadores de Bolsonaro

O crescimento de Jair Bolsonaro nas pesquisas e o resultado do primeiro turno esquentou ainda mais os ânimos e, o temor que os discursos de ódio do candidato contra grupos minorizados legitimassem violência por parte de seus apoiadores já começou a se concretizar.

A ideia desse post é compilar as agressões que estão sendo realizadas, usando o discurso do candidato como motivação. Caso conheça alguma que não está listada, por favor entre em contato comigo para atualizar o conteúdo (idealmente com mais de uma fonte do caso). Mesma coisa vale se algum dos listados ainda não for confirmado (erros também acontecem).

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Review de Segunda: V de Vingança – Alan Moore

“Ah, mas isso nem livro é, é só um quadrinho! Não conta como literatura, literatura de verdade!”

Essa foi a frase que escutei quando li pela primeira vez V de Vingança, e eu nunca me esqueci porque marcou muito o tom da minha leitura. Isso foi antes do filme, e eu li em inglês, pois foi o exemplar que consegui na época. É engraçado porque, por mais que eu tentasse concordar com a opinião de que era só um quadrinho, a história continuava me forçando a ver que era algo mais.

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As Crônicas da Nova República Paulista – Carga Internacional – Parte 5

Havia um som agudo e constante e uma dor grande em minha perna e clavícula esquerda. Fumaça. O capo do Maverick estava amassado e saindo fumaça, e o cheiro invadia minhas narinas, me deixando mais desperto.

Então a compreensão veio inteira. Eu havia batido. Olhei em volta, mas devagar pois minha cabeça doía demais, e vi o carro de meus perseguidores capotado uns dez metros à minha esquerda. Ouvia o ronco de Leôncio, mas não via ainda a estrada. Onde ela estava?

Então uma careca surgiu na janela do carro capotado, e saiu debaixo do veículo com agilidade assustadora para alguém que havia acabado de bater. Ainda estava de óculos escuros, mas o palito na boca havia sumido.

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As Crônicas da Nova República Paulista – Carga Internacional – Parte 4

Voamos até Pinheirinhos, e mais de uma vez o carro perdeu totalmente o contato com o chão, devido às imperfeições da estrada tão gasta, e, chegando na cidade, não houve a mesma reverência que tivemos antes da fronteira. Eu ainda não tinha decidido se tinha feito a escolha certa. Depois de entender que a carga eram armas, o mais certo seria retornar e deixar aquela caminhoneira sozinha. Mas eu a tinha cercado com meu acordo, e como os 400 duques em minha carteira comprovavam, ela não era uma pessoa de meias medidas, nem de descumprir acordos.

– Ali! – apontei para uma saída entre o guardrail e umas árvores feias – entre ali!

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O Segundo Turno, a Falsa Simetria e Porque vou Votar no Haddad

Salve pessoal, vamos para um texto atípico aqui no blog, um sobre política. Vejo muitas pessoas igualando Haddad e Bolsonaro nesse segundo turno e, querendo mudanças no direcionamento do país, pendendo o voto para o lado do atual deputado federal. Minha intenção não é fazer palanque eleitoral, mas jogar um pouco de luz nessa análise e tentar mostrar porque há, na minha opinião, uma falsa simetria na comparação entre os dois.

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As Crônicas da Nova República Paulista – Carga Internacional – Parte 3

A estrada ali estava terrível, e o que antes da Libertação poderia ser feito em trinta minutos demorava horas. Eddie não conseguia dirigir tão rápido quanto prometera, mas ninguém conseguiria. Cruzeiro surgiu no horizonte, um amontoado de moradias simples no meio de escombros. Se Cachoeira Paulista parecia uma ruína, Cruzeiro era apenas uma sujeira no mapa, mais um marco histórico do que uma cidade propriamente dita. Um antropólogo nunca reconheceria aquele lugar como uma habitação, mas os historiadores saberiam o significado daquele amontoado. O cerco desesperado e feroz que derrubou metade de todas as vidas perdidas na guerra.

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As Crônicas da Nova República Paulista – Carga Internacional – Parte 1

O odor da Parada Russa era uma mistura de álcool puro e cerveja barata. Seu Mauro, o dono do lugar, costumava se orgulhar, dizendo se tratar de um “boteco das antigas”, mas eu estava mais inclinado a dizer “fedendo a bar”. Nunca na frente dele, é claro, pois seria indelicadeza.

Era um lugar com muitos clientes. Apesar da localização tão ao norte da República de São Paulo, a vodca barata no cardápio garantia a presença de tantos viajantes e caminhoneiros. Combinando isso com quartos baratos, você quase conseguia fazer vista grossa para um combustível tão inflacionado. Quase. Mas um dono de estabelecimento tem que ganhar dinheiro, e eu mesmo não gastava com combustivel.

Aliás, o nome real do lugar era Lanchonete do Rio Verde, mas como não tinha rio nenhum e sobrava vodca, todo mundo conhecia como Parada Russa.

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